PORTUGAL GLORIOSA PATRIA DOS LUSITANOS

PORTUGAL GLORIOSA PATRIA DOS LUSITANOS
LUSITANOS LEVANTAI DE NOVO O ESPLENDOR DE PORTUGAL

sábado, 20 de agosto de 2011

CRISE DE IDENTIDADE EM PORTUGAL

Andando pelas ruas dum tradicional lugar de veraneio, vejo jovens portugueses envergando t-shirts com figuras de indivíduos que nada têm a ver com a cultura portuguesa, europeia, ou, sequer, ocidental. Daria vontade de rir, pelo paradoxo e ridículo, caso não fosse um triste sinal da ignorância e da falta de referências de toda uma juventude. Dupla ignorância, pois nem lhes passa pela cabeça quem são os vultos que transportam ao peito, e porque, também por desconhecimento, não conseguem encontrar, na nossa riquíssima e apaixonante História, personagens para ostentar orgulhosamente junto ao coração. Sendo certo e sabido que um Povo que não tem memória não tem futuro, esta falta de referências — iconográficas e conceptuais —, por parte dos nossos mais novos, conduzirá, a curto prazo, à total e completa falta de identidade de Portugal. Resta-me pensar que esta situação se deve a uma nova forma de crise de crescimento; dos jovens, que não do País, porquanto os 900 anos de Portugal lhe conferem antes a elevação da sabedoria e não a insegurança da adolescência. Assim, quero crer que, se alguém tiver a iniciativa de produzir t-shirts com as imagens de D. Afonso Henriques, Nuno Álvares, Camões, Pessoa — e tantos outros santos, sábios e heróis —, haverá ainda portugueses prontos a vestir a camisola. Façam-nas e veremos se esta juventude perdida, não sei por onde andam os seus valores, irão vestir essas camisolas com os nossos símbolos.
Creio que muitos as vestirão, mas muitos mais não as usarão, porque nada lhes diz, estamos perdendo os valores desta nação e estamos tornando-nos "globalizantes".
temos o dever de mudar este rumo e traze-los de volta ao nosso "seio".


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Nacionalismo para Portugal!

Nacionalismo para Portugal!

Portugal está desbaratado, o país encontra-se pelas ruas da amargura, a pobreza e a miséria alastram impiedosamente; a criminalidade, a violência e o desemprego aumentam; a inflação não pára; o analfabetismo não acaba e, no meio deste horrível cenário, os portugueses continuam, sistematicamente, a votar e a apoiar uma democracia e partidos, quer de esquerda quer de direita, que nunca defenderam e valorizaram a Nação Portuguesa. Já ninguém faz nada em Portugal, os nossos políticos limitam-se a entrar num jogo de lóbis e influências, em vez de defenderem os portugueses. A democracia em Portugal tornou-se uma palhaçada, um autêntico circo. E nós próprios nos tornámos uns palhaços. As nossas instituições democráticas demonstram-se ineficazes para resolverem os problemas nacionais. A nossa economia está arruinada, importamos cada vez mais, endividamo-nos e a indústria nacional estagna.
O Estado deve assentar na defesa dos portugueses e na primazia do interesse nacional. Contudo, hoje em dia, em Portugal, os interesses dos portugueses não são atendidos e deparamo-nos com a destruição da nobre Nação Portuguesa e da sua Alma Pátria. Cada dia que passa, Portugal torna-se menos português. Em cada momento, perdemos a nossa identidade e a nossa dimensão cultural. A Europa, por sua vez, cada vez mais, é uma colónia americana.
É preciso fazer frente a este sistema global que destrói a identidade europeia e a identidade de todos os povos europeus. O mundo, dizem os filósofos, é condicionado pela acção humana. É a própria acção humana que potencializa a realidade humana. A vontade de poder, dizia Nietzsche, é a legisladora universal. Só é possível mudar Portugal com um movimento unido, patriótico e nacional. Porque se não forem os portugueses a mudarem Portugal, quem o fará? Mudar Portugal!
Portugal perdeu, acima de tudo, o amor dos portugueses. Bons tempos em que os portugueses morriam por Portugal, porque o orgulho, a honra, a justiça e o dever estavam acima do indivíduo. Homogeneamente, nem honra, nem justiça, nem orgulho, nem dever. O amor, dizem os poetas, é o fundamento da vida humana. É o amor que nos leva a agir para além de nós próprios. Neste quadro pessimista, só com amor conseguiremos mudar e renovar Portugal. De um amor infinito a Portugal, ressurgirá um Portugal melhor e mais português. Mudar Portugal com amor!
Portugal vive hoje a sua hora mais triste, o seu momento mais angustioso. Esta angústia advém da perda da nossa identidade. Esta tristeza infinita provém da perda de união entre o povo português. E procuramos, em vão, alguma alegria no futebol aos Domingos no café. Em vão, tentamos esquecer a nossa dor e a nossa vil tristeza. Vivemos ainda demasiado do passado: dormimos ainda sobre o túmulo do falecido rei D. Sebastião e do Prof. António Oliveira Salazar, e  relemos infinitamente as velhas estrofes de Os Lusíadas e abraçamos os poemas nacionalistas da Mensagem de Pessoa.
É preciso para Portugal uma nova força, uma nova energia, um novo movimento, capaz de abalar o tédio, a monotonia, o cansaço, o desânimo e a descrença dos portugueses. É preciso uma nova luz, um novo ideal, é preciso a chama nacionalista! Num país em que os políticos vendem Portugal ao estrangeiro, em que os políticos não representam as cores da bandeira nacional, é necessário um novo líder. Um líder que esteja acima da guerra parlamentar a que assistimos todos os dias, que esteja acima das lutas partidárias, que enfraquecem e aniquilam o sistema democrático vigente.
Combate-se a guerra, com a paz. Combate-se o fogo com a água. A perda de identidade europeia, a perda da soberania nacional e a desnacionalização de Portugal combate-se com o nacionalismo. Possa o nacionalismo renovador transformar Portugal num país civilizado, evoluído, mas que não perca a sua raiz histórica, nem as origens da sua Raça! Pretendemos um Portugal moderno e evoluído, mas com consciência histórica e racial. Só os portugueses podem construir esse Portugal de maresia. Os portugueses nascem com esse direito, e devem morrer com esse dever.
Hoje, mais do que nunca, é preciso a chama nacionalista em Portugal!
Temos de reavivar a chama que os nossos antepassados nos deixaram.
Temos de voltar aos antigos valores morais e éticos, que nos foram deixados pelos nossos ilustres "avós".
Somos os detentores da chama desta nobre raça, e por isso temos um dever sagrado para com esta Nação e o seu povo.

Portugal sempre.
Dever, honra e Serviço.

O Infante


Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!



Um dos mais belos poemas da nossa nacionalidade...

O Nacionalismo é Válido?

O Nacionalismo é um princípio que defende a unidade do Estado Nacional, onde seus discursos clamam pelo amor à pátria, a defesa dos símbolos nacionais, a tudo que pertencer à nação.

Nacionalismo é o sentimento de íntima vinculação de um grupo humano ao núcleo nacional da colectividade a que pertence. É o princípio político que fundamenta a coesão dos Estados modernos e que legitima sua reivindicação de autoridade. Traduzido para a política mundial, o conceito de nacionalismo implica a identificação do Estado ou nação com o povo -- ou, no mínimo, a necessidade de determinar as fronteiras do Estado segundo princípios étnicos. Numa primeira etapa, o nacionalismo aspira a criar ou consolidar a independência política. Em seguida, busca a afirmação da dignidade nacional no campo internacional, para por último transformar-se em impulso que pode levar a nação a procurar ampliar seu domínio pela força.¹

O primeiro conceito de nação remetia a “colectividade de pessoas que têm a mesma origem étnica e, em geral, falam a mesma língua e possuem uma tradição comum". Um novo sentido sobre nação viria a surgir após a revolução francesa onde nessa época começaram a surgir movimentos nacionalistas pretendendo a autonomia do Estado, da nação. Esse movimento teve importância nos ideais burgueses para se conseguir apoio popular na luta contra o feudalismo. Surgiria então o conceito liberal de nação; a formação dos Estados-Nações e o desenvolvimento do capitalismo. Esse novo conceito determinava a nação vinculada ao território, já que o Estado agora tinha definições territoriais, almejando a soberania do povo. Mas em qual Estado Nacional o povo é soberano?

Comemoramos o dia da independência. Mas qual independência se ainda estamos subjugados, não só pelo imperialismo estadunidense, mas também, pelos nossos governantes e pela elite econômica do país? Isso nos faz perceber que a unidade que buscam os movimentos nacionalistas não existe e nunca existirá, pois dois fatores estão implicados nessa inviabilidade de união que são ignorados. As identidades étnicas e culturais e a luta de classes.

Esses dois factores são extremamente importantes para entendermos a sociedade complexa na qual vivemos e quais rumos tomar para que o povo alcance a sua soberania. O primeiro factor é muito claro no nosso país, pois possuímos uma diversidade cultural e étnica muito grande( culpa destes governos, que nos teem subjugado". O segundo factor, a estratificação da nossa sociedade em classes e, que engloba o primeiro, acompanha o ser humano desde o princípio de sua história e a sua existência é determinante para que a soberania dos povos esteja ameaçada.

Nós não nascemos com as identidades nacionais, elas “são formadas e transformadas no interior da representação”. Porém, tal sentimento de identidade nacional torna-se contraditório devido à esses factores, pois, tal unidade inexiste. E jamais poderá existir enquanto não se tiver a consciência de que pessoas exploram o trabalho de uma maioria da mesma nação ou de povos de outras nacionalidades. Como pode existir soberania do povo se o Estado que serviria para garantir os seus direitos está nas mãos de uma elite? Garantir a autodeterminação estaria implicado em termos a independência sobre outras nações ou também sobre aqueles que lucram com o trabalho do povo? A estrutura do actual sistema não permite que se tenha essa soberania e os movimentos nacionalistas que dizem almejar tal liberdade, ou são incapazes de entender a realidade, ou não teem a unidade de se afirmarem no que defendem perante o povo desta nação, e enquanto isto continuar a existir nada são e ou apenas existem para manter a alienação da sociedade.

Os Estados Nacionais são como empresas que existem para competir no mercado mundial uns com os outros. Os EUA se desenvolveram fortalecendo esse Estado e hoje controlam a economia mundial, mas para tal desenvolvimento foi preciso esmagar a economia de países que haviam acabado de sair da condição de colónias, como no caso dos países latinos, para garantir uma estrutura ao seu povo, na Europa quase que foi a mesma coisa. O bem-estar de uma sociedade tem um custo elevado e até países como Suíça, Holanda, Suécia, entre outros, necessitam que suas empresas se expandam pelo mundo em busca de mão de obra barata para poderem continuar suportando o bem-estar de sua sociedade.

Com a actual estrutura do nosso sistema, não seria diferente com Portugal.
Com o avanço do imperialismo dos EUA, esse nacionalismo se redescobre na Europa e na América Latina, mantendo o mesmo discurso, mas que nas vias concretas cometem os mesmos erros. Enquanto houver a supervalorização de uma nação sobre a outra, de uma classe sobre a outra, a soberania popular será utopia.

Os povos devem lutar pela sua autodeterminação, mas somente a conseguirão quando as lutas de classes forem eliminadas. Temos que redescobrir o conceito de nação, pois nesse conceito deve estar embutido que a finalidade de uma nação é objectivo comum que seus integrantes possuem, no entanto, trabalhadores e patrões não poderiam pertencer à mesma nação se possuem objectivos tão distintos. O segundo almeja o lucro e para isso explora o primeiro, portanto, não há soberania alguma. Do que adianta a independência económica se o povo ainda é dependente da elite da economia nacional? Quando o nacionalismo é válido? É válido quando a independência económica seja não da elite, mas de todo o povo e que esse não subjugue as outras nações e contribua para que essas também alcancem a sua liberdade.

Só assim temos o verdadeiro nacionalismo, que tantos de nós almejamos, um nacionalismo onde o povo diz aos seus líderes o que anseia e decide com os seus dirigentes eleitos o seu destino, isto é o nacionalismo e a identidade de uma verdadeira nação nacionalista

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Quem são as “bestas selvagens” inglesas?‏

“Indignados” não são. Nenhum discurso articula o protesto, não existe uma lista mínima de demandas como ocorreu com as manifestações dos estudantes ingleses contra a triplicação do valor das matrículas universitárias no ano passado. Os distúrbios em Londres e outras cidades inglesas se parecem mais com os de Paris em 2005, ou os de Los Angeles em 1992.
O primeiro ministro David Cameron e a poderosa imprensa conservadora não querem entrar em complexas reflexões sociológicas. “O que ocorreu é extremamente simples. Trata-se de pura delinquência”, disse Cameron no debate parlamentar convocado em carácter de emergência. O autor de vários livros de história militar, entre eles A batalha das Malvinas, Max Hastings, foi mais longe: “São bestas selvagens”.
Comportam-se como tais. Não têm a disciplina que se necessita para ter um emprego, nem a consciência moral para distinguir entre o bem e o mal”, escreveu no Daily Mail.
Com mais 2,3 mil prisões e mais de 1,2 mil processados por roubo ou violência, o desfile pelas cortes não permitiu ver nenhuma “besta selvagem”. Ao invés disso, o perfil dos acusados surpreendeu os britânicos que tiveram que enterrar a primeira caracterização simplista – negros, afro-caribenhos, pobres e excluídos – para começar a entender um fenómeno complexo. Designers gráficos, estudantes universitários, professores, adolescentes, púberes, desempregados, marginais, um aspirante a entrar no exército, uma modelo: a variedade era de um tamanho suficiente para desafiar qualquer estereótipo. Cerca de 80% dos que desfilaram pelos tribunais têm menos de 25 anos. A metade dos processados são menores de 18: muito poucos superam os 30 anos.
O apelido de “besta selvagem” tem uma arrogância de classe que não deveria ocultar seu principal objectivo: despojar os distúrbios de qualquer significado. A milhões de anos luz desta perspectiva, Martins Luther King dizia que “os distúrbios são a linguagem dos que não têm voz”. Na Inglaterra, o problema é que esta linguagem foi, em vários momentos, um balbucio ininteligível.
Macbeth na encruzilhada
O conflito começou com os protestos pela morte de Mark Duggan, no bairro de Tottenham, baleado pela polícia que, aparentemente, foi rápida demais no gatilho. Em um primeiro momento era um protesto político local marcado pela tensão étnica em um bairro pobre: o primeiro objecto de ataque foram dois carros de patrulha da polícia queimados pelos manifestantes. Este pontapé inicial converteu-se rapidamente em quatro noites de saques de grandes lojas, roubo indiscriminado de comércios de bairro e indivíduos e confrontamentos com a polícia em bairros pobres de Londres e da maioria das grandes cidades da Inglaterra.
Mas além de expressar uma exuberância dionisíaca, destrutiva e raivosa, que sentido pode ter o incêndio de uma pequena loja familiar de móveis no sul de Londres que havia sobrevivido a duas guerras mundiais? Como explicar que dois tipos com aspecto de hooligans simularam ajudar um jovem ferido para roubar-lhe o que ainda não tinham lhe roubado, como ocorreu com o estudante malaio Ashrag Haziq? Os distúrbios foram então “um relato contado por um idiota cheio de som e fúria que não significa nada”, como na famosa definição que Shakespeare faz da vida em Macbeth?
Nos distúrbios houve de tudo. A presença de bandos de jovens e o roubo meramente oportunista estiveram tão na ordem do dia como o uso de torpedos via celular para coordenar os ataques em lojas e bairros. Em uma sociedade onde o dinheiro se converteu em valor absoluto, a identidade parece definir-se, para muita gente, pela posse de tênis de marca ou do modelo de celular mais recente, ao qual essas pessoas não tem acesso porque vivem mergulhados na pobreza. Se a oportunidade aparece, por que não? Isso é o que fazem os banqueiros, os políticos, as grandes fortunas.
O actual ministro da Educação, Michael Gove, disparou indignado contra “uma cultura da cobiça, da gratificação instantânea, do hedonismo e da violência amoral”. O mesmo Gove gastou em 2006, 10 mil dólares para sua casa e passou a conta para a Câmara dos Comuns como parte de sua “dieta” parlamentar. Entre os objectos adquiridos, havia uma mesa que custou mais de 1.000 dólares, um móvel Manchu por 700 dólares e um abajur de 250 dólares.
Pobreza e gangues
Um dos casos que contribuíram para romper o estereótipo foi o de Alexis Bailey, um professor de escola primária de 31 anos, muito respeitado em seu trabalho, preso em uma loja da Hi-fi em Croydon, sul de Londres. Bailey ganha 1.000 libras em mês (cerca de 1.600 dólares) e paga de aluguer mais da metade disso: 550 libras (uns 900 dólares). No caso de Bailey, como no de Trisha, graduada em Psicologia Infantil que acaba de perder seu trabalho, percebe-se o núcleo de uma narrativa distinta da “mera delinquência” de “bestas selvagens”. “Ainda estou pagando o empréstimo que recebi para estudar. Cameron não faz nada. Não tem ideia do que é ser jovem. Dizem que nos aproveitamos dos benefícios. Mas queremos trabalho”, disse Trisha ao (diário londrino) The Guardian.
Estes germens de discurso apareceram várias vezes. Na voz de uma mãe em um supermercado (“não tem nada, o que vão fazer?”), na de um jovem desempregado (“é preciso se rebelar”). As gangues juvenis são a expressão final e niilista deste fenómeno de não pertencimento social e de falta de perspectiva de vida. “As gangues oferecem uma relação de pertencimento a uma estrutura, uma disciplina, um respeito que os jovens não encontram em nenhum outro lado”, escreve Ann Sieghart no diário britânico The Independent.
Esta semana, em um primeiro distanciamento de sua própria caracterização dos distúrbios, David Cameron lançou uma revisão de toda a política governamental para “recompor uma sociedade exausta”, evitar uma “lenta desintegração moral” e “solucionar problemas sociais que cresceram durante muito tempo”. É um começo. O que está claro é que as prisões, que em sua maioria já estão superpovoadas, não resolvem o problema de fundo: em alguns meses os mesmos jovens sairão para as ruas. A grande questão é se uma coligação como a conservadora-liberal democrata, que fez do ajuste fiscal uma religião, pode levar adiante uma política mínima que comece a lidar com um fenómeno que tem complexas raízes económicas sociais e culturais.

O capitalismo besta-fera ataca nas ruas‏

O capitalismo bestial deve ser levado a julgamento por crimes contra a humanidade, tanto quanto por crimes contra a natureza. Infelizmente, isso é o que os agitadores da Inglaterra nem vêem nem exigem. 
“Adolescentes niilistas e bestiais”. Foi como o Daily Mail apresentou: os jovens enlouquecidos, vindos de todas as vias da vida, que correram pelas ruas sem pensar, atirando desesperadamente tijolos, pedras e garrafas contra os polícias, saqueando aqui, incendiando ali, levando as autoridades a uma também enlouquecida caçada de salve-se quem puder, agarre o que conseguir, enquanto os jovens iam alterando os seus alvos estratégicos, saltando de um para outro.
A palavra “bestial” saltou-me à vista. Lembrou-me que os communards em Paris, em 1871, foram mostrados como animais selvagens, como hienas, que mereciam ser (como foram, em vários casos) sumariamente executados, em nome da santidade da propriedade privada, da moralidade, da religião e da família. Mas em seguida a palavra trouxe-me outra associação: Tony Blair atacando os “média bestiais”, depois de ter vivido durante tanto tempo confortavelmente alojado no bolso esquerdo de Rupert Murdoch, até que Murdoch meteu a mão no bolso direito e de lá tirou David Cameron.
Evidentemente haverá o debate histérico de sempre entre os sempre prontos a ver a agitação das ruas como questão de pura, simples e imperdoável criminalidade, e os ansiosos por contextualizar eventos em termos de polícia incompetente; de eterno racismo e injustificada perseguição aos jovens e às minorias; de desemprego em massa entre os jovens; de depauperação incontrolável da sociedade; de uma política autista de austeridade que nada tem a ver com a economia e tudo tem a ver com a perpetuação e a consolidação da riqueza e do poder individuais. Haverá até quem condene o sem sentido e a alienação de tantos trabalhos e empregos e tal desperdício da vida de todos os dias, de tão imenso, mas desigualmente distribuído, potencial para o florescimento humano.
Se tivermos sorte, haverá comissões e relatórios que dirão tudo, outra vez, que já foi dito sobre Brixton e Toxteth nos anos Thatcher. Digo “sorte”, porque os instintos bestiais do actual primeiro-ministro parecem tender mais a mandar usar canhões de água, a convocar a brigada do gás lacrimogéneo e a usar balas revestidas de borracha, ao mesmo tempo em que ele untosamente pontifica sobre a perda da bússola moral, o declínio da civilidade e a triste deterioração dos valores da família e da disciplina entre os jovens sem lar.
Mas o problema é que vivemos em sociedade na qual o próprio capitalismo se tornou desenfreadamente fera. Políticos-feras mentem nos gastos, banqueiros-feras assaltam a bolsa pública até ao último vintém, altos executivos, operadores de hedge funds e génios do lucro privado saqueiam o mundo dos ricos, empresas de telefonia e cartões de crédito cobram misteriosas tarifas nas contas de todos, empresas de varejo aumentam os preços. Por baixo do chapéu, artistas vigaristas e golpistas aplicam os seus golpes até entre os mais altos escalões do mundo corporativo e político.
Uma economia política de saque das massas, de práticas predatórias que chegam ao assalto à luz do dia, sempre contra os mais pobres e vulneráveis, os simples e desprotegidos pela lei – isso é hoje a ordem do dia. Alguém ainda crê que seja possível encontrar um capitalista honesto, um banqueiro honesto, um político honesto, um comerciante honesto ou um delegado de polícia honesto? Sim, existem. Mas só como minoria, que todos os demais consideram idiotas. Seja esperto. Passe a mão no lucro fácil. Fraude, roube! A probabilidade de ser apanhado é baixa. E em qualquer caso, há muitos meios para proteger a fortuna pessoal e impedir que seja tocada pelos golpes das corporações.
Tudo isso, dito assim, talvez choque. Muitos de nós não vemos, porque não queremos ver. Claro que nenhum político se atreve a dizer estas coisas e a imprensa só publicaria, se algum dia publicasse, para escarnecer de quem dissesse. Mas acho que todos os que correm pelas ruas agitando a cidade sabem exactamente a que me refiro. Fazem o que todos fazem, embora de modo diferente – mais flagrante, mais visível, nas ruas. O thatcherismo despertou os instintos bestiais do capitalismo (o “espírito animal” do empreendedor, como o chamam timidamente) e, desde então, nada surgiu que os domasse. Destruir e queimar é hoje a palavra de ordem das classes dominantes, de fato, em todo o mundo.
Essa é a nova normalidade sob a qual vivemos. Isso deveria preocupar o presidente do inquérito que rapidamente será nomeado. Todos, não só os jovens agitadores, devem ser responsabilizados. O capitalismo bestial deve ser levado a julgamento por crimes contra a humanidade, tanto quanto por crimes contra a natureza.
Infelizmente, isso é o que os agitadores nem vêem nem exigem. Tudo conspira para nos impedir de ver ou exigir exactamente isso. Por isso o poder político tão facilmente se traveste na roupagem da moralidade e de uma razão repugnante, de modo que ninguém veja a corrupção nua e a irracional estupidez.
Mas há réstias de esperança e luz em todo o mundo. O movimento dos indignados na Espanha e na Grécia, os impulsos revolucionários na América Latina, os movimentos camponeses na Ásia, todos esses começam a ver através da imundície que o capitalismo global, predatório, bestial lançou sobre o mundo. O que ainda falta para que todos vejamos e comecemos a agir? Como se poderá começar tudo outra vez? Que rumo tomar? As respostas não são fáceis. Mas uma coisa já se sabe: só chegaremos às respostas certas, se fizermos as perguntas certas.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Não esquecer o Santo Condestável,nem o nosso Portugal.

Foi a, 1 de Abril( embora tenha passado esta data, ela deve ser sempre lembrada), que faleceu o nobre e intrépido Nuno Álvares Pereira no ano de 1431.

Faço daqui uma saudação aos meus camaradas nacionalistas que irão hoje estar em Aljubarrota para reafirmarem os seus ideais, perfilhados por este nosso ilustre antepassado, e reafirmarem o juramento já feito o ano passado.
Fisicamente não me será possível encontrar-me no seu seio, mas estarei em pensamento.

É de aproveitar, pois, que se relembre um pouco da história da personagem, dos seus feitos, e, acima de tudo, da sua lição de vida!
Nuno Alvares Pereira nasceu no dia 24 de Julho de 1360 no seio de uma pequena família fidalga e foi educado como um verdadeiro cavaleiro. Logo aos 13 anos entrou para a corte de S.A.R D.Fernando, sendo escolhido para escudeiro de D.Leonor Teles. Desde logo se notaram as suas qualidades: um intenso fervor patriótico e um génio militar. Casou-se aos 16 anos por imposição do pai com D.Leonor de Alvim, de quem teve 3 filhos.
Com a morte de D.Fernando, a independência de Portugal esteve em risco e é nesse período que Nuno Alvares Pereira vai empenhar um papel decisivo.

Durante o período da regeneração esteve sempre ao lado de D.João I. A sua primeira vitória militar foi na batalha de atoleiros em 1384. Em 1385 D.João I é aclamado Rei de Portugal e Nuno Álvares Pereira, Condestável do Reino.

A luta contra Castela e os traidores de Portugal continua.

Em 14 de Agosto de 1385 dá-se a batalha decisiva: Batalha de Aljubarrota. A desigualdade dos dois exércitos era por demais evidente. Do lado de Castela haveria cerca de 5000 lanças (cavalaria pesada), 2000 ginetes (cavalaria ligeira), 8000 besteiros e l5 000 peões; do lado português seriam cerca de 1700 lanças, 800 besteiros, 300 archeiros ingleses e 4000 peões. O Condestável vira-se para os soldados portugueses, que assustados o ouvem: "Confiem em mim, pelos nosso avós, pela nossa Nação, pelo nosso Rei D.João e pelos nossos filhos, temos de defender a nossa terra. Se for preciso pagar este heroísmo com a vida, tal acontecerá, se esse for o nosso destino!". Os soldados acreditam cegamente no seu líder. D.Nuno Álvares Pereira reflecte e elabora o seu plano, uma estratégia de guerra que tinha aprendido com os ingleses: a tácita do quadrado. Depois escolheu o melhor local para o embate.
Os castelhanos, apesar de em maior número, quando avistam o exército português, apercebem-se da posição vantajosa dos portugueses no terreno e tentam evitar o confronto, contornando-os e, seguindo por um caminho secundário, indo concentrar-se em Calvaria. O exército português inverte a posição e desloca-se paralelamente, acompanhando os castelhanos, vindo a ocupar uma posição 3 km a sul da anterior, ficando os dois exércitos a cerca de 350 metros de distância. Para proteger a frente os portugueses cavaram rapidamente fossos e covas de lobo, que tentaram disfarçar. O exército português estava disposto numa espécie de quadrado, formando a vanguarda e as alas um só corpo. A vanguarda era comandada pelo Condestável e nela estavam cerca de 600 lanças; na retaguarda, comandada por D. João I, estavam cerca de 700 lanças, besteiros e 2000 peões. Os restantes efectivos estavam nas alas.A ala esquerda era a célebre ala dos namorados, que enfrentou bravamente os castelhanos, e a ala direita era conhecida por ala da madressilva, que, enquanto a primeira lutava, fazia chover flechas sobre o exército inimigo.
A vanguarda castelhana teria 50 bombardas e 1500 lanças, em 4 filas, e ocupava toda a largura do planalto, nas alas teria outras tantas lanças, besteiros e peões, além de ginetes na ala direita e cavaleiros franceses na ala esquerda. Os castelhanos reconhecem a dificuldade de atacar a posição portuguesa, surgindo dúvidas quanto à decisão de atacar ou não.
Estavam neste impasse quando, já ao fim do dia, a vanguarda castelhana inicia o ataque. Dados os obstáculos que encontraram, foram-se concentrando ao meio, mas com uma profundidade de 60 a 70 metros, pelo que o embate se dá com a parte central da vanguarda portuguesa. Dado o seu número, os castelhanos conseguem romper a vanguarda portuguesa, mas logo foram atacados de flanco, pelas pontas da vanguarda, pelas alas e também pela retaguarda portuguesa. Assim, face à estratégia e posição portuguesas, a vanguarda castelhana sofreu todo o impacto da força do exército português, sendo desbaratada. Por isso, apesar do maior número total das forças espanholas no combate, a vanguarda castelhana suportou sozinha toda a acção do exército português, sendo esmagada. Os restantes fugiram, em pânico, sendo ainda perseguidos. Tudo isto aconteceu em cerca de uma hora. O rei de Castela fugiu, de noite, para Santarém e daí embarcou para Sevilha.

A Batalha de Aljubarrota foi um momento alto e importante na luta com Castela, pois desmoralizou o inimigo e aqueles que o apoiavam, e praticamente assegurou a continuidade da independência nacional.


Em Outubro de 1385, em Valverde alcança nova vitória sobre os castelhanos.
Em 1411, Castela reconhece a independência de Portugal.

Nuno Álvares Pereira tornou-se rico e poderoso, mas soube dividir, com os seus companheiros de armas, grande parte das terras que lhe foram doadas. No fim da vida, teve o cuidado de repartir também pelos netos os seus domínios e títulos.

Nuno Alvares Pereira  ainda participou na conquista de Ceuta em 1415. Nunca perdeu uma batalha que fosse liderada por si. Conta-se que a sua espada, que tinha o nome de Maria gravado, lhe dava a devida protecção.

Depois de se tornar viúvo (1388) entrou para o Mosteiro do Carmo em 1423, por ele fundado, mudando o nome para frade Nuno de Santa Maria. Nos últimos anos da sua vida ajudou os pobres e os mais necessitados e o povo começou a chama-lo Santo Condestável.
Foi beatificado pela igreja em 23 de Janeiro de 1918.


Para a história, fica o seu patriotismo, o seu sacrifício e a sua espiritualidade. O Condestável é um exemplo para todos nós, pois, Nuno Alvares Pereira compreendeu que tinha chegado a hora de servir a sua Pátria, tal como um dia o tinham feito os seus avós, e fê-lo, mesmo arriscando a sua vida e a vida dos seus soldados. Foi humilde e despiu-se de todas as riquezas materiais, entrando para o mosteiro, para estar mais perto de Deus.
A ele, por certo, devemos-lhe as vitórias militares, que permitiram a independência de Portugal!

É escutando estes ventos históricos, estas almas patrióticas, esta valentia lusíada, que podemos recuperar o nosso génio lusíada... Devemos, tal como fez heroicamente Nuno Alvares Pereira , sacrificarmo-nos a nós próprios, para melhorarmos a nossa terra, mesmo que sejamos menos, poucos, mesmo contra todas as vicissitudes e adversidade, devemos lembrarmo-nos que somos portugueses. E se não formos nós a salvar Portugal, ninguém o fará.


Obrigado, Nuno Álvares Pereira! (1360-1431)

Portugal sempre.
Dever, Honra e Serviço.

domingo, 14 de agosto de 2011

Nacionalismo fora de hora

Numa sociedade em rápida transformação, como a nossa, a economia, a política e a cultura nunca evoluem no mesmo passo. A economia pode modernizar-se rapidamente sob a pressão dos contactos com o exterior, sem que o sistema político e as ideias na sociedade acompanhem-na no mesmo ritmo. A falta de sincronia entre essas esferas da vida social transmite a impressão de que o país vive simultaneamente em tempos históricos diferentes. Portugal, perdeu a maior parte dos anos 70 e ... procurando inimigos externos e internos para justificar sua pobreza e seu atraso em relação ao mundo. Nessa busca insensata perdemos a capacidade de perceber nossos próprios problemas, nossas fraquezas e, muito pior que isso, as grandes possibilidades que tínhamos diante de nós.
Alimentamos conflitos políticos inúteis, criamos espaço para lideranças políticas ineptas e irresponsáveis e deixamos de investir na criação das condições objectivas que tornam possível o crescimento econômico. Enquanto os outros países europeus iam evoluindo, conseguiram romper o círculo de atraso de consciência e ingressaram numa fase de modernização económica e social que nos está levando, pela primeira vez, para o centro relevante do mundo. em Portugal , no entanto, a modernização económica ( porque ela existe neste país )ainda não teve tempo, ou não foi capaz, de influir no modo de funcionamento do sistema político e no conjunto das ideias com que os "verdadeiros" portugueses interpretam  a sua realidade.
A política continua o mesmo modo patrimonialista de sempre e pode tornar-se um obstáculo importante à continuidade do nosso desempenho econômico. Mas o mais grave é a sobrevivência de ideias anacrónicas que ainda guiam o comportamento de sectores importantes da sociedade. A pior dessas ideias é o nacionalismo de esquerda. É um nacionalismo mais recatado e fino, sem os slogans( esquerdistas ) patéticos dos anos 50, mas mesmo assim carregado do mesmo veneno. estes nacionalismos de todos os tipos de esquerda  estão na origem dos maiores desastres e dos maiores fracassos das sociedades humanas nos últimos cem anos. Trazem-nos  à tona os piores instintos humanos,que os bolcheviques trouxeram com eles e que deu origem á divisão do mundo em duas super-potências e que em grande parte quase nos levaram a um retrocesso quase civilizacional.
sou nacionalista e acho inconcebível que um comunista, socialista... possam proclamar-se nacionalistas.
O que sabem eles do que é ser nacionalista?!... sofreram pela nação, tem amor por ela, morreriam por ela e pela sua salvaguarda?!...
não, porque são todos eles internacionalistas globais, querem que sejamos todos iguais...
Estas reflexões me vem à mente com as notícias de o PCP, o PS e o BE, se preocupam com a causa nacional e que sempre foi uma bandeira sua ser nacionalista...
Os tempos mudaram ou então, foi criado um novo "nacionalismo", arcaico e atavio e incoerente.
Temos um novo nacionalismo fora de horas e estranho como dizerem que sou irmão de um negro...