PORTUGAL GLORIOSA PATRIA DOS LUSITANOS

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LUSITANOS LEVANTAI DE NOVO O ESPLENDOR DE PORTUGAL

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Integração Europa federal, alguém quer?


Numa altura em que atravessa nova crise de confiança, a Europa está dividida em dois campos opostos, tendo, de um lado, aqueles que procuram relançar o projeto federalista e, do outro, os que preferem uma fórmula de parceria mais solta, mais britânica. E está difícil de perceber qual das soluções é a melhor. 

Detenhamo-nos, por um instante, na opinião (um pouco simplificada e parafraseada) de um político veterano europeu. "A União Europeia morreu, mas viva a Europa. Não vai voltar a haver outro Tratado Europeu. O acordo 'reformador' assinado em Lisboa há três anos foi o ponto mais alto do velho sonho federal.” Temos diante de nós (prossegue ele) uma oportunidade, não uma derrota. "Ao enterrarmos o mito federal, podemos criar um projeto europeu mais contido e definido, conduzido sobretudo pelos Estados e não por Bruxelas. Podemos criar uma potência europeia muito mais forte e mais prática – uma 'puissance Europe' [potência Europa] que preserve o estilo de vida europeu dos ataques de um sombrio século XXI."
Quem assim falou? A frase “puissance Europe" dá uma pista. O político veterano europeu não é britânico, apesar de as suas ideias se assemelharem às de sucessivos governos britânicos de há mais de meio século. Trata-se de um francês: Hubert Védrine, de 63 anos, ministro dos Negócios Estrangeiros em 1997-2002 e secretário-geral da presidência europeia de François Mitterrand, de 1991 a 1995.
Védrine não expressa apenas as suas opiniões, antes aponta aquilo que considera uma nova realidade política da Europa. E um novo realismo. Mas na verdade, não é nada inteiramente novo. Os governos do continente europeu vêm-se afastando paulatinamente das intenções federais há pelo menos uma década, sem chegarem a quaisquer conclusões coerentes sobre o que deva ser o futuro da “Europa". Vejamos.

Diferentes entendimentos da Europa

A retaliação do Presidente Nicolas Sarkozy em relação às admoestações de Bruxelas a propósito da sua campanha contra os ciganos foi, em parte, apenas típica de Sarkozy. Mas o desejo – ou ânsia – do Presidente francês em atacar a Comissão reflete um novo entendimento da Europa por parte da França, que percorre o cidadão vulgar mas também a elite governativa francesa.
A chanceler Angela Merkel não cresceu no Mercado Comum, na CEE ou na UE, mas na RDA. Tem uma visão pragmática da Europa, voltada para os resultados. Ao contrário do chanceler Helmut Kohl, nunca aboliria o Deutschmark [marco alemão] para criar o euro, medida de afirmação essencialmente política (e que visava satisfazer os franceses).
Com o imponderado Silvio Berlusconi, a outrora empenhada Itália pró-federal deixou de ter uma visão coerente de Europa. Os outrora federalistas holandeses redescobriram o nacionalismo e viraram-se para a direita populista. A Bélgica permanece fiel a uma Europa federal, mas a Bélgica quase não existe. O Luxemburgo, como manifestou indelicadamente o Presidente Sarkozy, é muito pequeno. Os países da Península Ibérica raramente contribuíram para o debate europeu. Os novos países da Europa de Leste juntaram-se à UE “porque estava à mão". O importante papel da Europa como árbitro na sua atabalhoada corrida para a democracia e a prosperidade é frequentemente esquecido. Poucas vozes, nos Estados do antigo Bloco Comunista, clamam por uma Europa mais federal ou uma Bruxelas mais poderosa.
E a Grã-Bretanha? O programa do Partido Conservador na mais recente eleição falava de reduzir a UE a uma "associação dos seus Estados-membros”: por outras palavras, a um clube intergovernamental, sem tratados nem regras com força de lei. O acordo de coligação com os democratas-liberais, significativamente, não diz nada disso.

Há poucos motivos para os europeus temerem Cameron

Mesmo os recém-eurocéticos franceses e alemães – mesmo Védrine – têm vindo a falar de abordagens intergovernamentais mais flexíveis em matéria de novas políticas europeias (como sejam os negócios estrangeiros e a defesa ou projetos de investigação conjunta ou de política industrial). Não preveem (ainda) desmontar as regras coercivas do tratado que sustentam o mercado único europeu. Ou o euro. Ou o orçamento da UE. Ou a Política Agrícola Comum.
No entanto, parece que David Cameron não tem muito com que se assustar em relação à Europa de Merkel-Sarkozy-Berlusconi. E há poucos motivos para os europeus, no estado de espírito atual, temerem David Cameron. Se Védrine estiver certo, ele pode até ter uma oportunidade de dirigir a Europa para um modelo mais pragmático, intergovernamental e cooperante e menos ameaçador para a soberania do que a Grã-Bretanha pretendia desde o início. Mas Védrine está certo?
A maior parte do que funciona bem na UE (tão bem que geralmente nem damos por ela) é estatuído por tratados supranacionais: o mercado único alargado, que torna a indústria europeia atrativa para os acionistas estrangeiros; a concorrência aberta, que proporcionou tarifas aéreas europeias baratas. A maioria do que corre mal na Europa – política estrangeira europeia, antes e depois da senhora Ashton – é intergovernamental, não vinculativa nem sancionável.

Crise de fé na UE

No mês passado, passou quase despercebida a formação de um novo grupo, dentro e fora do Parlamento Europeu, que pretende lutar contra a disseminação da heresia “intergovernamental" e pela defesa da velha religião federalista europeia. O grupo foi buscar o nome a Altiero Spinelli, teórico político italiano que é considerado um dos fundadores da abordagem supranacional da Europa que norteia CEE, CE e UE.
Entre os seus membros, incluem-se o anterior presidente da comissão, Jacques Delors, o estudante rebelde franco-alemão que se tornou um eloquente político Verde, Daniel Cohn-Bendit, e o antigo primeiro-ministro belga, Guy Verhofstadt. No seu programa, declara-se: "Em tempos de interdependência e de um mundo globalizado, ficar preso a soberanias nacionais e ao intergovernamentalismo não é apenas lesivo do espírito europeu: é um apego à impotência política.”
Telefonei a Cohn-Bendit e perguntei-lhe o que achava dos argumentos de Védrine. "São um absurdo”, respondeu. "Um manifesto absurdo. Se olharmos onde estão as falhas da Europa de hoje – a regulação financeira, por exemplo, ou as alterações climáticas –, coincidem precisamente com a inépcia dos governos (reunidos no Conselho de Ministros) para chegarem a acordo entre eles sobre as coisas sérias." Cohn-Bendit admite, no entanto, que houve uma mudança radical de atitude nas capitais europeias. Apesar de arrasar Védrine, Cohn-Bendit aceita um dos seus principais argumentos: há uma crise de fé na UE.

Mecanismo dos anos 1950 deixou de funcionar

Os fundadores da UE (e, antes dela, da CEE) acreditaram que os factos europeus impostos de fora criariam um sentido de identidade política europeia. Seria assim possível obter uma democracia de âmbito europeu ("uma união cada vez mais próxima”) e um tipo de governação à escala europeia.
Agora, ao que parece, o mecanismo que foi encetado e posto em marcha nos anos 1950 deixou de funcionar. Mais poder para a UE exigiria mais democracia direta. E nunca os políticos e as burocracias nacionais estariam dispostos a ceder mais democracia direta, porque confere legitimidade e poder. Sem legitimidade, a UE permanecerá longínqua e pouco estimada. E numa tal UE, haverá pouca exigência popular de democracia direta.
Os governos dos Estados-membros mantiveram este dilema durante anos (mesmo durante os supostos Grandes Anos do avanço europeu). Com 27 Estados-membros (e a crescer) e a alteração para atitudes menos comunitárias por parte da Alemanha, França e Itália, é cada vez mais provável que o telhado de vidro que se interpõe a um futuro mais federal seja quebrado.
Védrine é deprimente, mas tem razão. Cohn-Bendit é inspirador, mas está errado. A “união cada vez mais próxima” prometida pelo Tratado de Roma, em 1957, tem mais probabilidades de se tornar, de facto, uma “união nunca mais próxima”. Mas isso não significa que devamos abolir as instituições da UE ou permitir que se desmoronem. Teríamos de enfrentar os mesmos problemas pan-europeus – comércio, imigração, ambiente –, sem uma estrutura nuclear de debate e decisão.

Será o momento de abandonar as instituições europeias?

Védrine fala de reabilitar “a nação" sem revivificar as forças destrutivas do "nacionalismo". Mas através de toda a Europa – da Itália à Bélgica, passando pela Hungria, mesmo a imperturbável Suécia e a França de Sarkozy – algumas das forças mais hediondas do "nacionalismo" estão já em marcha. Será um momento seguro para abandonar as instituições europeias?
Védrine não explica como a sua Admirável Nova Europa pode ser colada à existente, semiconstruída, mas supranacional. Apesar do que os ingleses possam dizer, o mercado livre europeu não aguentaria um só dia sem as leis e instituições da UE. Védrine não responde também à irrespondível questão de Cohn-Bendit. Os acordos intergovernamentais são, de facto, frágeis e temporários porque os governos são frágeis e temporários. Como empreenderia Védrine novas políticas de defesa, de negócios estrangeiros, industriais e de pesquisa, de modo a não serem uma série de jogos de póquer aleatórios e políticos, mudando ao sabor dos governos?
Algo semelhante ao que Védrine descreve pode vir a acontecer à UE na próxima década. A mudança pode tornar-se uma amálgama incoerente. Ou ser coerente e porfiada, transparente e democrática: uma aceitação formal de que os Estados Unidos de Europa são um sonho impossível e talvez destrutivo, mas que o cerne das instituições supranacionais de tomada de decisão da UE é tão necessário como sempre foi.
Isso significaria um novo tratado da UE. Mas Védrine diz-nos que não há estômago na UE para mais tratados… Há por aí algum político, homem ou mulher, que se chegue à frente?

Questões éticas


Laurence Olivier  encarnando o personagem de Shakespeare no cinema em 1948.
Os Estados Unidos da Europa que alguns defendem são uma quimera, incompatível com a história e a pluralidade de culturas do nosso continente, afirma o escritor romeno .
Lembram-nos várias vezes, recentemente voltaram ao assunto, a necessidade da criação dos Estados Unidos da Europa. Mas isso só será possível se os países que deles fizerem parte aceitarem “ceder uma grande parte da sua soberania”, forçados por necessidades económicas e financeiras evidentes nestes anos de crise. Portanto, um mal necessário, uma tácita de sobrevivência nesta parte do mundo confrontada com grandes problemas, desequilíbrios e provocações. Não creio que esse cenário seja realista, nem desejável, se tiver como modelo uma federação do tipo dos Estados Unidos da América. Mais ainda, não creio que nenhum dos modelos federais hoje existentes no mundo possa servir de modelo a uma Europa unida. Para que a Europa possa funcionar unida (como, de alguma maneira, já faz) precisa de outras bases, específicas do nosso Velho Continente, e não apenas as da sobrevivência económica, creio só com a ideia da pátria das nações chegaremos lá, mas para isto temos de começar de novo , das bases estRUTURANDO-A , COMEÇANDO POR DAR VOZ AO POVO E ABANDONAR A GLOBALIZAÇÃO....

O passado alimenta os nacionalismos europeus

Os Estados europeus, antes de mais, não são rectângulos desenhados de forma arbitrária sobre a superfície do terreno. São uma história milenar. Têm a sua própria língua, as suas próprias tradições, a sua própria psicologia, o seu próprio ethos, o seu próprio subconsciente colectivo composto por um conjunto de memórias, de fantasmas, de feridas ainda abertas e de frustrações acumuladas numa história comum. Este passado que escorre de cada pedra alimenta o nacionalismo subsidiário dos povos europeus, os seus complexos de superioridade e de inferioridade. Nada é simples na Europa: nem as fronteiras, nem as leis que diferem enormemente de uns Estados para os outros. Até mesmo o sistema de pesos e medidas é ainda diferente, bem como a circulação à direita ou à esquerda das ruas. Tudo isto, factos insignificantes e genéricos, constituem uma força de rejeição impossível de ignorar entre os Estados do nosso continente.
Esta consciência nacional, ganha durante o período romântico e degenerada sob a forma de nacionalismos exasperados, criadores de estereótipos e agressivas, abriu as suas pétalas envenenadas no século passado. O ideal heróico transformou-se num pesadelo de totalitarismos e de guerras mundiais. Dezenas de milhões de cidadãos da Europa foram massacrados em nome do patriotismo e do nacionalismo exacerbados. A Guerra Fria e a Cortina de Ferro entre o Oeste e o Leste do continente também contribuíram para a mutilação da consciência europeia, pelo menos do que ainda resta depois do inferno histórico precedente.
A tendência para a fragmentação baseada em princípios étnicos ainda hoje continua, da Bélgica a ex-Jugoslávia. A isto acresce, ainda, a fragmentação religiosa do continente para além das outras fronteiras como as nacionais, produzindo a famosa falha de Huntington, que também atravessa a Roménia. Que forças trapacentas podem opor-se á terrível força centrífuga do nacionalismo?

Sentimento de pertencer a uma nação

Elas existem, felizmente, e não estão ligadas prioritariamente à centralização e à uniformização legislativa de Bruxelas. Trata-se do espírito europeu. Da formidável aliança cultural e artística  do continente que, afinal de contas, gerou a nossa civilização, construída sobre os ombros de Homero, de Sócrates, de Dante, de Leonardo da Vinci, de Shakespeare, de Newton, de Vermeer, de Goethe, de Kant, de Beethoven, de Proust, de Einstein, os primeiros que me vêm aos espírito entre os grandes que outrora pensaram e criaram. A Europa é antes e sobretudo um conceito cultural, um estado de espírito, o sentimento de pertencer a uma civilização. É o continente dos museus, das salas de concertos, das catedrais. É o espírito intelectual dubitativo, lento e profundo, encarnado por um Hamlet pensativo (arquétipo do europeu), em oposição ao homem de acção. É a Grécia do presente que toma a América por Roma. Não há nenhum motivo para que Atenas se queira tornar uma Roma.
A Europa unida nunca será unida no sentido da federação de Estados americana. A sua possibilidade é a busca e a descoberta de um ponto de equilíbrio entre o nacionalismo dos Estados que colaborarem e o espírito europeu, do pensamento livre e da criatividade. Mas se o espírito europeu vem carregado  de uma burocracia excessivamente centralizada e de uma padronização que não tem em conta as condições locais, como actualmente acontece, haverá poucas possibilidades de união. Poucos governos estarão inclinados a ceder ainda mais soberania dos Estados que representam a um monólito que parece disposto a um tipo de socialismo económico ultra-planificado.
Porque na Europa não cedemos apenas a nossa soberania, mas também a história viva, profundamente enraizada no passado. Para renunciar a esta última é preciso haver esperança em qualquer outra coisa muito melhor.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Governo aumenta endividamento para 12 mil milhões de euros para apoio à banca

(Lusa) divulga - O Governo já pode aumentar o limite de endividamento para 12 mil milhões de euros "para fazer face às necessidades de financia...
Governo aumenta endividamento para 12 mil milhões de euros para apoio à banca
Governo aumenta endividamento para 12 mil milhões de euros para apoio à banca.

- O Governo já pode aumentar o limite de endividamento para 12 mil milhões de euros "para fazer face às necessidades de financiamento" e assegurar e solvabilidade da banca, segundo o diploma hoje publicado em Diário da República.
A lei 48/2011, que torna oficial as alterações ao Orçamento de Estado para 2011 aprovadas em finais de julho, autoriza o Governo a alargar o teto de endividamento de 9 para 12 mil milhões de euros com vista ao "reforço da estabilidade financeira e disponibilização de liquidez nos mercados financeiros".
A lei aumenta também o montante máximo das garantias pessoais do Estado ao setor, que passa de 20 para 35 mil milhões de euros.
O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, já tinha justificado que esta alteração serve apenas para acomodar o valor do empréstimo internacional destinado à banca no limite global de endividamento do Estado e que não tem subjacente qualquer estimativa de necessidades de financiamento da banca.
Garantiu ainda que o facto de os instrumentos para garantir a estabilidade financeira estarem em pleno funcionamento não significa que se tratem de "transferências para os bancos e para o sistema financeiro", mas servem antes para proteger os clientes.
O aumento das garantias pessoais do Estado para 35 mil milhões de euros e do mecanismo de apoio à solvabilidade bancária até um máximo de 12 mil milhões de euros estavam estipulados no memorando assinado com o Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia.
PCP e Bloco de Esquerda foram muito críticos durante a discussão parlamentar deste orçamento retificativo, colocando em causa o destino destes fundos e destas garantias e lembrando declarações dos banqueiros que diziam não precisar do dinheiro.
Mas ninguém faz nada?!...
Ainda não ouvimos os nacionalistas, que se passa connosco?!... Não devemos comentar estas decisões?!...
Mas temos o governo que escolhemos e permitimos, não nos podemos queixar, a desunião conduz a isto.
Todos querem pelouro(tacho), nem que seja em pequenos partidos...
Assim vai o nosso país e os nossos políticos, e nós continuamos a agachar-nos.

PARA QUE O TEMPO NÃO APAGUE DA MEMÓRIA:

Apreciem e vejam o cinismo e a pouca vergonha desta líder ex-comunista e agora líder da democracia cristã alemã e sua primeira-ministra...
 

 

 
Alemanha "rainha das dívidas"

Description: Description: Historiador considera Alemanha rainha das dívidas
A chanceler alemã, Angela Merkel Michael Kappeler
O historiador Albrecht Ritschl evoca hoje em entrevista ao site de Der Spiegel vários momentos na História do século XX em que a Alemanha equilibrou as suas contas à custa de generosas injecções de capital norte-americano ou do cancelamento de dívidas astronómicas, suportadas por grandes e pequenos países credores.
Ritschl começa por lembrar que a República de Weimar viveu entre 1924 e 1929 a pagar com empréstimos norte-americanos as reparações de guerra a que ficara condenada pelo Tratado de Versalhes, após a derrota sofrida na Primeira Grande Guerra. Como a crise de 1931, decorrente do crash bolsista de 1929, impediu o pagamento desses empréstimos, foram os EUA a arcar com os custos das reparações.

A Guerra Fria cancela a dívida alemã
Depois da Segunda Guerra Mundial, os EUA anteciparam-se e impediram que fossem exigidas à Alemanha reparações de guerra tão avultadas como o foram em Versalhes. Quase tudo ficou adiado até ao dia de uma eventual reunificação alemã. E, lembra Ritschl, isso significou que os trabalhadores escravizados pelo nazismo não foram compensados e que a maioria dos países europeus se viu obrigada a renunciar às indemnizações que lhe correspondiam devido à ocupação alemã.

No caso da Grécia, essa renúncia foi imposta por uma sangrenta guerra civil, ganha pelas forças pró-ocidentais já no contexto da Guerra Fria. Por muito que a Alemanha de Konrad Adenauer e Ludwig Ehrard tivesse recusado pagar indemnizações à Grécia, teria sempre à perna a reivindicação desse pagamento se não fosse por a esquerda grega ficar silenciada na sequência da guerra civil.

À pergunta do entrevistador, pressupondo a importância da primeira ajuda à Grécia, no valor de 110 mil milhões de euros, e da segunda, em valor semelhante, contrapõe Ritschl a perspectiva histórica: essas somas são peanuts ao lado do incumprimento alemão dos anos 30, apenas comparável aos custos que teve para os EUA a crise do subprime em 2008. A gravidade da crise grega, acrescenta o especialista em História económica, não reside tanto no volume da ajuda requerida pelo pequeno país, como no risco de contágio a outros países europeus.

Tiram-nos tudo - "até a camisa"
Ritschl lembra também que em 1953 os próprios EUA cancelaram uma parte substancial da dívida alemã - um haircut, segundo a moderna expressão, que reduziu a abundante cabeleira "afro" da potência devedora a uma reluzente careca. E o resultado paradoxal foi exonerar a Alemanha dos custos da guerra que tinha causado, e deixá-los aos países vítimas da ocupação.

E, finalmente, também em 1990 a Alemanha passou um calote aos seus credores, quando o chanceler Helmut Kohl decidiu ignorar o tal acordo que remetia para o dia da reunificação alemã os pagamentos devidos pela guerra. É que isso era fácil de prometer enquanto a reunificação parecia música de um futuro distante, mas difícil de cumprir quando chegasse o dia. E tinha chegado.

Ritschl conclui aconselhando os bancos alemães credores da Grécia a moderarem a sua sofreguidão cobradora, não só porque a Alemanha vive de exportações e uma crise contagiosa a arrastaria igualmente para a ruína, mas também porque o calote da Segunda Guerra Mundial, afirma, vive na memória colectiva do povo grego. Uma atitude de cobrança implacável das dívidas actuais não deixaria, segundo o historiador, de reanimar em retaliação as velhas reivindicações congeladas, da Grécia e doutros países e, nesse caso, "despojar-nos-não de tudo, até da camisa".

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Nacionalismo

O sentimento nacionalista tem suas raízes na Revolução Francesa. A burguesia volta-se contra a nobreza e o clero e proclama que o poder não emana de Deus nem do soberano, mas do povo e da nação. A lealdade ao rei é substituída pela lealdade à pátria. No final do século XVIII e no decorrer do XIX, a ascensão do sentimento nacionalista coincide com a Revolução Industrial, que promove o desenvolvimento da economia nacional, o crescimento da classe média, a exigência popular de um governo representativo e o desejo imperialista.

Nacionalismo liberal – No início do século XIX, o nacionalismo firma-se como uma ideologia política que traduz as aspirações do liberalismo. Torna-se uma forma de protesto contra os Estados monárquicos, aristocráticos e religiosos e de afirmação da identidade nas regiões submetidas ao domínio estrangeiro, como na Itália dominada pela Áustria e na Irlanda subjugada pelo Reino Unido. Após a derrota de Napoleão, as potências vencedoras posicionam-se contra as pretensões nacionalistas, que, associadas ao liberalismo, significam uma ameaça à restauração monárquica. No contexto das Revoluções Liberais, no século XIX, o princípio da nacionalidade é um dos factores decisivos para a mobilização da burguesia, que, em alguns países, é apoiada pelo proletariado industrial. Na Itália e na Alemanha, o sentimento nacionalista é um elemento fundamental para as unificações.

Nacionalismo autoritário – A unificação alemã em 1871, liderada pelo antiliberal e pró-monárquico Otto von Bismarck (1815-1898), marca o início da fase na qual o nacionalismo é firmado no interior do Estado. Ideologia segundo a qual o indivíduo deve lealdade e devoção ao Estado nacional – compreendido como um conjunto de pessoas unidas num mesmo território por tradições, língua, cultura, religião ou interesses comuns, que constitui uma individualidade política com direito de se auto-determinar. O nacionalismo assume inúmeras formas e pode-se originar com base em diversas necessidades: de uma comunidade étnica, religiosa ou cultural, sob dominação, tornar-se independente; de um grupo ou comunidade impor sua nacionalidade e se transformar em soberano no Estado; ou de o próprio Estado-Nação impor seus ideais aos cidadãos como forma de sobreviver como unidade.



Nacionalismo autoritário – A unificação alemã em 1871, liderada pelo antiliberal e pró-monárquico Otto von Bismarck (1815-1898), marca o início da fase na qual o nacionalismo é firmado no interior do Estado. Esse nacionalismo assenta na Ideologia segundo a qual o indivíduo deve lealdade e devoção ao Estado nacional – compreendido como um conjunto de pessoas unidas num mesmo território por tradições, língua, cultura, religião ou interesses comuns, que constitui uma individualidade política com direito de se auto-determinar.
O nacionalismo assume inúmeras formas e pode-se originar com base em diversas necessidades: de uma comunidade étnica, religiosa ou cultural, sob dominação, tornar-se independente; de um grupo ou comunidade impor sua nacionalidade e se transformar em soberano no Estado; ou de o próprio Estado-Nação impor seus ideais aos cidadãos como forma de sobreviver como unidade, é também caracterizado como imperialista, conservador e autoritário, generaliza-se em todo o continente europeu. Com o crescente interesse das nações europeias em alcançar a hegemonia na Europa e se defender, os Estados nacionais exigem a lealdade exclusiva dos cidadãos e incentivam o ódio e a hostilidade para com outras nações. Nessa fase, o Império Turco-Otomano, alvo das potências europeias, sofre constantes desmembramentos, que dão origem a novos Estados, como Roménia e Bulgária. As actividades nacionalistas dos sérvios na Bósnia-Herzegovina e a decisão da Áustria-Hungria de combatê-las, somadas ao crescente nacionalismo autoritário no resto da Europa, deflagram a I Guerra Mundial. O conflito leva à desagregação dos Impérios Austro-húngaro, Alemão e Russo e à formação de Checoslováquia, Polónia, Jugoslávia, Hungria, Estónia, Letónia e Lituânia. O nacionalismo autoritário chega ao ápice no entre guerras e passa a ser um componente básico do fascismo, do nazismo e do Estalinismo. Após a II Guerra Mundial, com a ruína dos Estados europeus e o nascimento dos sistemas de hegemonia mundial dos EUA e da URSS, o nacionalismo desaparece em muitas nações europeias. Estas, para se reerguerem, deixam suas barreiras proteccionistas e partem para a interdependência em uniões como o Mercado Comum Europeu – o primeiro esboço da formação de organizações políticas de dimensões continentais e multinacionais. Conflitos contemporâneos – Depois de 1945, o nacionalismo cresce na África e na Ásia como reacção ao colonialismo. Na África, porém, o nacionalismo nem sempre é um elemento importante no processo de descolonização. Isso acontece porque, na maioria dos casos, o estabelecimento das fronteiras imposto pelos colonizadores não seguiu os critérios linguísticos e culturais de cada povo. A eclosão da Guerra do Biafra e das lutas actuais na República Democrática do Congo, na Somália, em Ruanda e em Burundi, expressa antigos conflitos tribais. O nacionalismo também encontra ressonância no populismo da América Latina, em especial no governo de Juan Domingo Perón, na Argentina; nos de Getúlio Vargas e João Goulart, no Brasil; e no de Lázaro Cárdenas, no México (1934-1940). Com o fim da Guerra Fria e o desmantelamento da URSS, projectos de autonomia nacional são despertados em diversas partes do mundo, como a recusa das repúblicas bálticas (Estónia, Letónia e Lituânia) em se integrar à Comunidade dos Estados Independentes (CEI) e as lutas separatistas no Timor Leste, no País Basco, na Irlanda do Norte e no Tibete, entre outros. Além disso, como forma de reafirmar distinções em Estados cada vez mais multiétnicos, explodem movimentos nacionalistas dentro de vários Estados e movimentos de grupos de identidade, como o da comunidade negra. Em muitos países ressurge o nacionalismo autoritário: é o nacionalismo na Áustria, na França e na Itália e o movimento dos skinheads na Inglaterra, na Alemanha e no Brasil.
Este nacionalismo, é apodado pelos "esquerdas/liberais" como imperialista, conservador e autoritário, mas está a generalizar-se em todo o continente europeu. Com o crescente interesse das nações europeias em alcançar a hegemonia na Europa e de tornarem novamente "independentes" da União europeia e do imperialismo dos Estados Unidos...

Mas este nacionalismo tem novas nuances, tornou-se anti-globalizante, defende a união da Europa mas no sentido de uma  União das Pátrias, e defende a cultura e a língua de cada povo, e quem decide será sempre no final o povo na companhia dos seus governantes, tornou-se num nacionalismo libertário,  reconhecendo o direitos dos povos a unirem-se se assim o entenderem, o destino pertence ao povo... Assim devia ser sempre.
É por isto que as nações e os seus povos devem caminhar no sentido do nacionalismo anti-globalizante e libertário, porque só assim nos tornaremos donos do nosso destino e acabaremos com esta classe política corrupta que nos estrangula e destrói as nossas nações e vive á nossa conta e destrói as nossas identidades.

O Nacionalismo é o destino natural e o que nos salvará.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O nacionalismo ainda se mostra presente no interior de várias nações do mundo.

Quando trabalhamos com o nacionalismo, sempre temos que voltar a uma primeira definição, capaz de deduzir o que vem a ser a nação. Em um primeiro momento, entendemos “nação” como um conjunto de experiências históricas, comportamentos, crenças e outros hábitos que definem a identidade de um povo. Contudo, ao pensarmos sobre a nação, vemos que a construção de uma identidade única é sempre problemática e inacabada.
Apesar deste problema conceitual, vemos que o nacionalismo se desenvolveu em determinadas culturas, não só postulando a partilha de uma identidade colectiva, mas também fomentando certas verdades e comportamentos em relação aos povos que não pertenciam à mesma nação. De certo modo, ao enxergar os seus próprios limites, o nacionalismo se volta para o âmbito das diferenças para hierarquizar os povos e construir uma visão positiva de seu povo.
Percebido com mais clareza no século XIX, o sentimento nacionalista pode ser visto como um dos mais significativos desdobramentos gerados pela Revolução Francesa de 1789. Ao lutarem contra as imposições do absolutismo, os franceses empreenderam a formulação de um amplo discurso, em que a vontade do povo e da nação se confundia com o desejo de suspender qualquer hábito ou lei que estabelecesse o privilégio de um grupo em detrimento da maioria.
Mesmo apresentando visíveis problemas, principalmente no que tangia ao conflito de interesses entre a burguesia e as camadas populares, o sentimento nacionalista se fortaleceu como instrumento de mobilização nos movimentos antimonárquicos que se desenvolveram na Europa do século XIX. Nesse mesmo período, a onda nacionalista também ganhava fôlego com o imperialismo, que se assentava na ideia de superioridade de uma nação como justificativa de seu domínio em outras regiões do mundo.
Do ponto de vista histórico, o nacionalismo também veio a fomentar as rivalidades que forneceriam sentido à ocorrência da Primeira Guerra Mundial. Afinal de contas, as rivalidades imperialistas estavam sempre próximas a um discurso em que o interesse de uma nação deveria estar acima das “injuriosas” ameaças de outras nações inimigas. Com isso, as noções de superioridade e rivalidade se mostraram como “centrais” na organização do ideário nacionalista.
Prosseguindo pelo século XX, o nacionalismo alcançou sua expressão mais radical com o surgimento dos movimentos totalitários na Europa. Mais do que simplesmente defensores da nação, esse movimentos tomaram para si a ideia de que as liberdades individuais deveriam ser suprimidas em favor de um líder máximo, capaz de traduzir e executar os anseios de toda uma colectividade. Observado o horror e o fracasso da Segunda Guerra Mundial, podemos ver o trágico resultado desse tipo de expressão extrema( se tivessem ganho a guerra, teriam razão mas como a perderam foram só os lideres os "maus da fita", o povo nunca os apoiou, eles como totalitários levaram o seu povo para a sua aniquilação e destruição de todos os valores, se tivessem vencido seriam bons...).
Ainda hoje, apesar da globalização e o encurtamento das distâncias entre os povos, o nacionalismo aparece ainda na expressão de alguns pequenos grupos que rejeitam o ideal de integração contemporâneo. Em alguns países, os chamados neonazistas, também aparecem alimentados por um nacionalismo que repudia a chegada de imigrantes que saem de sua terra natal em busca de oportunidades e melhores condições de vida. Sem dúvida, a questão nacionalista ainda se movimenta no tempo presente.

Nação/ Nacionalismo

– Nação e nacionalismo correspondem a realidades que têm forte impacto sobre a política e se encontram vinculadas ao fato mais concreto da realidade quotidiana de todos os indivíduos, que é o Estado. Na periferia, o nacionalismo tem natureza radicalmente distinta dos movimentos nacionalistas que se desenvolveram na Europa, os quais tiveram sua reputação manchada pelos extremismos ...
O mundo real do século XXI é um mundo em que proliferam os conflitos e as divergências dentro e entre os Estados, e em que a elaboração permanente de normas e a actividade política incessante são realidades inescapáveis. As tentativas dos Estados no centro do sistema mundial de impor políticas económicas e sociais, as crescentes assimetrias de riqueza e de poder, e a tentativa dos Estados do centro de impor à periferia, pela violência ou pela pressão económica, mudanças de regime político e econômico fazem ressurgir com mais força os movimentos anti-globalização e os nacionalismos.
O povo vai descobrindo e reconhecendo neste movimento nacionalista anti-globalização o factor identitário da sua cultura, língua... e da sua libertação do jugo do capitalismo judaico jacobino, e do jugo das super-potências e quer ter o direito de decidir o seu destino, e é por isto que o movimento nacionalista tem que se unir para poder ter vozes que o representem.

sábado, 20 de agosto de 2011

CRISE DE IDENTIDADE EM PORTUGAL

Andando pelas ruas dum tradicional lugar de veraneio, vejo jovens portugueses envergando t-shirts com figuras de indivíduos que nada têm a ver com a cultura portuguesa, europeia, ou, sequer, ocidental. Daria vontade de rir, pelo paradoxo e ridículo, caso não fosse um triste sinal da ignorância e da falta de referências de toda uma juventude. Dupla ignorância, pois nem lhes passa pela cabeça quem são os vultos que transportam ao peito, e porque, também por desconhecimento, não conseguem encontrar, na nossa riquíssima e apaixonante História, personagens para ostentar orgulhosamente junto ao coração. Sendo certo e sabido que um Povo que não tem memória não tem futuro, esta falta de referências — iconográficas e conceptuais —, por parte dos nossos mais novos, conduzirá, a curto prazo, à total e completa falta de identidade de Portugal. Resta-me pensar que esta situação se deve a uma nova forma de crise de crescimento; dos jovens, que não do País, porquanto os 900 anos de Portugal lhe conferem antes a elevação da sabedoria e não a insegurança da adolescência. Assim, quero crer que, se alguém tiver a iniciativa de produzir t-shirts com as imagens de D. Afonso Henriques, Nuno Álvares, Camões, Pessoa — e tantos outros santos, sábios e heróis —, haverá ainda portugueses prontos a vestir a camisola. Façam-nas e veremos se esta juventude perdida, não sei por onde andam os seus valores, irão vestir essas camisolas com os nossos símbolos.
Creio que muitos as vestirão, mas muitos mais não as usarão, porque nada lhes diz, estamos perdendo os valores desta nação e estamos tornando-nos "globalizantes".
temos o dever de mudar este rumo e traze-los de volta ao nosso "seio".