PORTUGAL GLORIOSA PATRIA DOS LUSITANOS

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LUSITANOS LEVANTAI DE NOVO O ESPLENDOR DE PORTUGAL

sábado, 3 de setembro de 2011

Irão, onde a mulher perde seu corpo...

Empresto este "blogue" hoje a uma grande amiga que está morando e trabalhando em Teerão. Claro que preservo o nome para evitar que tenha problemas, mais problemas do que os que ela descreve abaixo.
Pedi a ela que me contasse como é, para um mulher, viver no Irão, país que, como você sabe, é regido por uma teocracia.
Sua descrição vale mais que muito palavreado que se diz a respeito do assunto.
Começa dizendo que "Teerão é uma cidade normal, poderia dizer qualquer um que, sem muito se ater a detalhes, passasse por aqui. Em pleno verão de 40 graus, já não parece tão normal assim. Mulheres cobertas do pés à cabeça circulando como se estivessem no conforto do ar condicionado. Sabia que chegaria aqui no auge do verão, mas entre IMAGINAR usar o véu e roupas inapropriadas para o calor infernal e realmente TER QUE USAR são coisas bem diferentes.
Constrangimento não é bem a palavra que descreve o que sinto. Acho que é mais estranhamento e limitação. É interessante observar as mulheres na rua aqui: dominam a técnica de colocar o véu de uma forma que não atrapalha os movimentos e não ficam, como eu até agora, puxando e se ajeitando, como se a roupa estivesse fora do lugar ou até incomodasse.
A sensação é mais ou menos a de ter um corpo estranho, algo que não te pertence. E, ainda por cima, ter que lembrar a toda hora que mesmo para uma fugida na esquina para comprar pão, você terá que se fantasiar. Isso me inibe um pouco, me deixa com uma certa preguiça de sair, pelo menos por enquanto. Acho que quando refrescar um pouco e meu corpo estranho estiver pertencendo mais a mim, ficarei mais tranquila e circularei mais".
Depois, o depoimento começa a olhar para a frente: "Aos poucos vou ter que comprar algumas roupas para não ter que carregar roupa normal, de trabalho, moda Ocidente, e as roupas para sair na rua. Ainda não tenho muitas opções de moda Irão que me permitam circular no ambiente de trabalho".
Perguntei à amiga o que ela gostava de fazer na cidade em que morava (e que também omito, por precaução) e que não pode fazer em Teerão. A resposta:
"Minha nossa, pensar nas coisas que gostava de fazer e não posso fazer aqui resultaria numa lista interminável. A verdade é que ainda preciso de tempo para descobrir o que posso fazer aqui. Gostava muito da liberdade de poder sair a qualquer hora. Aqui, depois das 22 horas, sozinha, não é permitido".
Em correspondência anterior, ela já me mencionara a perturbação causada pelo tornozelo à mostra. Perguntei como fora e ela me contou:
"A história do tornozelo foi num restaurante na primeira semana. Sentamos no chão, num tapete, o restaurante era assim. Depois de um tempo, desconfortável na posição, estiquei as pernas, estava com um vestido longo, que, naturalmente, tinha subido um pouco. Logo veio o empregado e num tom estranho, pelo menos para quem não fala a língua deles, apontou e proferiu algumas palavras. O iraniano que estava no nosso grupo me explicou que ele tinha que fazer isso, pois alguém poderia reclamar e o restaurante poderia ser multado, etc... Mas era um tornozelo mesmo, uma faixa de pele muito perto do pé, cruzes..."
"E também tem esse ponto, sair para jantar (pois cheguei em pleno Ramadão e não tem água nem comida até o sol desaparecer, outra hora falo sobre isso). Sem o conforto de uma roupa é meio chato, mas tenho ido a alguns lugares. Nesses momentos, você pode abstrair e se sentir em Nova York ou em qualquer capital europeia, pois são lugares porreiros, embora sem álcool e com o ' 'dress code' daqui".
Minha amiga ficou de pensar sobre o outro lado, "as coisas boas de se viver em Teerão", para um segundo capítulo, espero eu que ela se entusiasme e queira divulgar mais o estilo de vida deste mundo incompreensível para muitos e atrasado em muitos aspectos humanos...

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Portugal perde 75% da ajuda europeia à pobreza‏


Portugal vai receber apenas 4,5 milhões de euros de ajuda alimentar da União Europeia no próximo ano, menos 16 milhões do que este ano e cerca de um quinto do que foi dado em 2010.
Os cortes no Programa Comunitário de Ajuda Alimentar a Carenciados são comuns a toda a Europa: o fundo fica-se pelos 113 milhões para o próximo ano, em comparação com os 500 milhões deste ano. Instituições de solidariedade receiam que a situação de milhares de pessoas a precisarem de ajuda para comer fique ainda pior.

Temos mais carenciados, não chamemos as coisas pelos seus nomes :temos mais pobres, mas vamos receber menos dinheiro , mas será que os políticos europeus endoideceram?
Não estão-se é marimbando para os "nossos" desgraçados.
Vivemos num mundo global, em que os pequenos nada importam, são simples engrenagens de uma máquina "Superior", quanto se desgastam "deita-se fora".
Viva esta Europa global e este mundo global e materialista.
Continuem sem fazer nada e verão aonde vamos cair!...Num buraco maior do que onde já nos encontramos.

....SOLIDARIEDADE...IGUALDADE...JUSTIÇA SOCIAL...ETC, ETC

Christine Lagarde receberá no FMI menos que Faria de Oliveira na CGD



Christine Lagarde receberá no FMI menos que Faria de Oliveira na CGD
 
 
Christine Lagarde receberá do FMI mais 10% que Dominique Strauss-Kahn, mas mesmo assim menos que o presidente da Caixa Geral de Depósitos, entre outros gestores portugueses, pelo que a senhora ainda está mal paga pelo padrão de Portugal

Com tantos banqueiros e gestores tão bem pagos, não se percebe como é que Portugal está tão desesperadamente falido. Ou talvez se perceba.
Ora aí está um bom sítio onde podemos fazer poupanças. E não colhe o
argumento de que nos arriscaríamos a perder os melhores...
  Vencimento : Lagarde vai receber mais 10% do que DSK no FMI
 A nova directora do FMI, Christine Lagarde, vai ter um rendimento anual
 líquido de 323 mil euros, a que se somam 58 mil euros para gastar em
 despesas, o que representa mais 10% do que o seu antecessor, Dominique
 Strauss-Kahn.
 A antiga ministra francesa da Economia assinou hoje contrato para dirigir a
 instuição durante 5 anos.

O total de 381 mil euros anuais que Lagarde vai receber (salário mais
despesas) é um aumento de 11% relativamente ao que recebia Dominique
Strauss-Kahn, o ex-director da instituição acusado de abusar sexualmente de
uma camareira de hotel em Nova Iorque.
Quando foi nomeado, em 2007, Dominique Strauss-Kahn acordou em receber um salário anual de 291 mil euros, com despesas de representação de 52 mil
euros - um total de 343 mil euros. Menos quase 38 mil euros anuais do que
vai agora receber a francesa.
Christine Lagarde é a 1ª mulher a dirigir a instituição e a única que não é
 economista de formação, desde a sua fundação em 1944.
 Para que conste, retirado do site da CGD, referente a 2009 (não divulgaram
 os valores de 2010 nem de 2011...):
 Presidente - remuneração base: 371.000,00€; Prémio de gestão: 155.184,00€;
 Gastos de utilização de telefone: 1.652,47€; Renda de viatura: 26.555,23€;
 combustível: 2.803,02€; subsídio de refeições: 2.714,10€; subsídio de
 deslocação: 104,00€; despesas de representação: cartão de crédito onde
 "apenas" são consideradas despesas decorrentes da actividade devidamente
documentadas com facturas e comprovativos de movimento - não quantificado...

 Em suma, apenas com o vencimento base e o prémio de gestão, foram
 526.184,00€!!! (a Directora do FMI foram 381€ já com despesas de
 representação) e depois ainda há uns gastos com telefones, combustíveis, etc., para além de um cartão de crédito de valor não quantificado!

 Palavras para quê?  Ondé é que está a crise ??
Agora temos esta nova praga...

Praga
A Neuruppin, em Land de Brandebourg

Cada vez mais polacos abandonam o seu país, para se instalarem na antiga Alemanha de Leste. Ocupam o vazio deixado pelo êxodo dos "Ossies", após a queda do Muro de Berlim. O Lidové noviny convida os checos a fazerem o mesmo e a diluir, assim, as fronteiras da Europa Central.

Löcknitz, a cerca de 50 quilómetros da costa do Mar Báltico, tem sido palco, nos últimos anos, de um pequeno milagre. É uma das raras cidades do Leste da Alemanha que tem conseguido travar a queda do número de habitantes. Aliás, a sua população aumentou. E – fenómeno nada normal nesta região – as escolas do ensino pré-primário e primário também têm mais alunos. No entanto, nem tudo são rosas. Os novos habitantes não são alemães. São polacos, originários sobretudo da cidade portuária de Szczecin, que tem várias centenas de milhar de habitantes e fica a cerca de 20 quilómetros de Löcknitz.
"As casas e os terrenos são mais baratos aqui do que nos arredores de Szczecin. Até os impostos são mais baixos e a qualidade dos serviços públicos é muito melhor", diz uma polaca, dona de uma pensão. "Uma casa igual à que comprei aqui por 35 000 euros ter-me-ia custado 250 000 euros em Szczecin", explica outro polaco, que foi até à pensão para dar dois dedos de conversa. E acrescenta: "Não é complicado. Os alemães daqui vão-se embora para o Ocidente."
Neste momento, 15% dos habitantes de Löcknitz são polacos e, nas escolas pré-primárias locais, um em cada 5 crianças tem nacionalidade polaca. Os alemães que aqui vivem gostam dos polacos. "Sem eles, a cidade estava condenada a morrer", afirma o proprietário alemão de um restaurante topo de gama. Mas a maioria das cidades da antiga Alemanha de Leste não teve a mesma sorte que Löcknitz. Quando, há 50 anos, construíram o Muro de Berlim, os comunistas alemães orientais tentavam em especial travar o êxodo de cidadãos da RDA para Ocidente. Todos os anos, mais de 100 000 pessoas atravessavam a fronteira e o país corria o risco de despovoamento total. Menos 3 milhões de pessoas.

Renascer da Europa Central

Para muitos especialistas, o que explica a unificação relâmpago da Alemanha, a seguir à queda do Muro de Berlim, é o fluxo massivo de alemães que então começaram a emigrar do Leste para o Ocidente. Contudo, nem a unificação nem a transferência colossal de dinheiro (mais de 1 bilião de euros), destinado a colocar o Leste ao nível do Ocidente, conseguiram deter o êxodo. Apenas o abrandaram e estabilizaram 100 pessoas por ano. Os motivos são de ordem económica – salários mais baixos e uma taxa de desemprego significativa.
Hoje, há cerca de 14 milhões de habitantes recenseados no Leste da Alemanha – bastante menos do que os 17 milhões de antigos alemães de Leste –, sendo que Berlim e arredores salvam um pouco a situação, devido ao aumento do número de habitantes que esta cidade registou ao longo dos últimos 10 anos, após a transferência da capital de Bona para Berlim. Mas, em muitas cidades do Leste da Alemanha, a situação é completamente diferente. Zwickau, na Saxónia, por exemplo, tem hoje apenas 90 000 habitantes (eram 120 000, em 1989), apesar de se encontrar ali implantada a mais importante fábrica de automóveis da Volkswagen. E o seu futuro poderá tornar-se ainda mais sombrio. Como salientou o Frankfurter Allgemeine Zeitung, daqui a alguns anos, o Leste da Alemanha enfrentará um choque demográfico, porque a taxa de natalidade actual é de 0,77 crianças por mulher e o número de homens solteiros ultrapassa largamente o das mulheres. Só os países mais pobres da Europa apresentam uma queda da população comparável à da Alemanha de Leste, nos últimos 20 anos.
A enorme transferência de recursos do Ocidente para o Leste da Alemanha, que foi acompanhada pela construção de infraestruturas modernas, aliada ao fenómeno actual de despovoamento, dá aos checos e aos polacos a grande oportunidade de "colonizar" esses territórios. Foram sobretudo os polacos que começaram a explorar essa oportunidade, muitos deles seguindo um regime do tipo "viver na Alemanha e trabalhar na Polónia".
Discretamente, pé ante pé, vai reaparecendo a Europa Central de outrora, cujas fronteiras dos Estados-Nação eram frequentemente bastante indefinidas. E isso de uma maneira completamente diferente daquilo que poderíamos ter receado. Eis mais uma razão pela qual podemos e devemos já superar os nossos complexos de inferioridade em relação à Alemanha e aos alemães.

Euro Euro Berlim quer controlar tudo

Berlim exige mais disciplina orçamental em troca do reforço fundo de salvamento um dia após a  reunião do Eurogrupo e do Ecofin, o conselho de ministros das Finanças da UE. O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, quer que seja tomada uma decisão nesse sentido no decorrer do Conselho Europeu de Março, para dar um "novo impulso ao endurecimento das sanções contra os que infringem a disciplina orçamental", Berlim mostra "grande ânsia de manter o controlo do calendário de todas as decisões da UE". Assim, qualquer iniciativa lançada pelo presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, ou pelo presidente do BCE,A excelentíssima presidente do FMI, "se não tiver obtido a bênção prévia de Berlim, é alvo uma censura mais ou menos velada".

Euro Crise da dívida Uma UE “made in Germany”


Para salvar a zona euro, é preciso fazer como os alemães. Várias vezes repetida por Angela Merkel, esta mensagem está a chegar aos seus parceiros. É este o preço a pagar por uma União devastada pela crise, defende.

De repente, a chanceler está disposta a fazer algo que há muito vem negando querer. De repente, quer aproximar a Alemanha de outros países europeus – até de países como a Grécia, que dificilmente pode reivindicar ser merecedora de crédito. De repente, a Alemanha quer colaborar mais intimamente com os seus vizinhos: nas poupanças, nos impostos, mesmo em matéria de idade da reforma. De repente, a Europa deve ser mais acarinhada por nós do que nunca – mesmo sem haver a certeza de os outros só quererem o nosso dinheiro ou estarem realmente dispostos a aceitar as nossas regras e princípios.
Tudo isto está subjacente à ideia de um governo económico europeu. E tudo isto é incrivelmente impopular, aqui na Alemanha. Desde que a crise da dívida estalou, o medo de uma integração europeia voltou a crescer. Quando os alemães ouvem hoje a palavra “Europa”, muitos imaginam uma perda de controlo. E são cada vez menos os que acreditam realmente que o euro será algum dia tão seguro e sólido como era dantes o marco alemão.
Então, porque está Angela Merkel a enveredar por esse caminho? E porquê agora? Temos que ver a situação há um ano. A crise grega estava a crescer nos mercados financeiros, os especuladores apostavam no colapso da União Monetária e, imediatamente antes do “crash”, a Alemanha era um dos Estados que ajudavam os gregos com empréstimos de milhares de milhões de euros. Ao mesmo tempo, os governos europeus implicavam com quase qualquer reforma à política económica. O Sul exigia solidariedade individual incondicional (leia-se: “mais dinheiro "). O Norte pretendia segurança, o que significava uma austeridade rígida. Acabou por haver um pouco de ambos. Mas o problema manteve-se. Até agora, não foram resolvidas nem a crise da dívida nem a questão de uma construção europeia capaz de afastar a recessão.

Pensar em grande escala para acabar de vez com a crise do euro

Há um ano, ainda faltava sucederem vários acontecimentos. Tal como a maioria de alemães, o Governo federal esperava que a situação acalmasse. E presumiram que as nossas finanças estariam tanto mais bem protegidas quanto menos do nosso dinheiro e poder fosse desviado para a Europa. Percebeu-se que isso era uma falácia. Entretanto, outros países passaram a ser alvo dos especuladores, acompanhados por boatos sucessivos sobre o fim iminente do Euro. E assim, foram necessários mais milhares de milhões para salvar a moeda. E a chanceler alemã foi forçada a agir.
A longo prazo, nenhum governo pode tolerar isto. Eis a lição que o Governo da chanceler aprendeu: para acabar de uma vez por todas com a crise do euro, temos que pensar em grande escala. E isso significa: em primeiro lugar, pôr fim ao sufoco da dívida grega, isto é, rever a programação da dívida de uma maneira tão brilhante que nem a economia grega nem os bancos alemães, cheios de títulos da dívida grega, se desmoronem. Em segundo lugar, os outros países em crise têm de ser ajudados financeiramente. Terceiro – e o mais importante –, deve ser assegurado que esse dinheiro não vai ser desperdiçado e que a Europa mantém uma grande vigilância nessa matéria.
É precisamente nesse momento que surge a noção de um governo económico “à la Merkel”, como dedução lógica. Se nos temos de responsabilizar pelos nossos vizinhos, com o nosso próprio dinheiro, então temos de ter igualmente uma palavra a dizer sobre como é gasto. Vamos dar mais poder à Europa, mas ela tem que funcionar de acordo com princípios alemães.

A cultura alemã de estabilidade conquista novas conversões

Isso significa, em particular, um aumento de pressão sobre os não cumpridores de toda a UE. A França seria impelida pelos países do euro a subir a sua idade da reforma. A Espanha terá de abandonar a indexação dos salários à inflação e a Itália sujeitar-se-á a reduzir o défice. Poderá haver circulação de impostos, talvez até penalizações automáticas para a ineficiência e um limite da dívida, tal como consta na Constituição alemã.
Parece uma utopia, mas não é. É que os outros governos também tiraram as suas lições do ano passado. A cultura alemã de estabilidade está a conquistar novas conversões por toda a Europa. Em Paris, porque se reconhece que a França deve assumir responsabilidades pelos países em crise. Em Madrid, porque se teme vivamente que o país vá à bancarrota. Em Dublin, porque todos percebem como estão a pagar pelos erros do Governo de Brian Cowen. E em Bruxelas, porque já há muito que aí prevalece o pensamento alemão, mais do que é geralmente admitido.
Até agora, não ouvimos muito frequentemente esta parte da história: a Europa vai ser alemã – pelo menos no que toca à economia, não ao vinho. É a única história que pode ser explicada aos cidadãos. Não porque não houvesse alternativas. Mas porque promete um final feliz.

Portugal Um plano de salvação que não ajuda ninguém


Sob pressão dos mercados e impelido por alguns países para aceitar uma ajuda financeira, o governo de Pedro Passos Coelho deve permanecer firme e reestabelecer a confiança, uma vez que os planos de ajuda não fazem mais do que agravar a crise.
As experiências grega e irlandesa mostraram que as intervenções criam mais, novos e mais graves problemas, ameaçando a própria vida da moeda única. Mas está nas mãos do governo português evitar o pior. O governo português tem de dar aos credores e à Zona Euro a garantia absoluta de que o país vai cumprir a meta orçamental deste ano. Para poder também assim exigir aos líderes europeus, com especial revelo para Angela Merkel e Nicolas Sarkozy, o respeito pelos compromissos assumidos e pelas estratégias assumidas no quadro das instituições do Euro e do FMI.

O ano de 2011 ESTÁ A terminar com os líderes da Zona Euro mais conscientes dos riscos, para a moeda única, da solução escolhida para resolver o problema da dívida de alguns países europeus. É neste quadro que se compreendem as sucessivas e variadas declarações de apoio às medidas adoptadas por Portugal para combater o défice público, com estes anormais aumentos, de IVA, IRS, Luz, Gás, combustíveis, bens alimentares...

Um modelo que alimenta o efeito dominó

As intervenções primeiro na Grécia e depois na Irlanda têm mostrado que o modelo seguido para enfrentar a crise da dívida estava a alimentar um efeito dominó com o espectro final de colapso da Zona Euro.
Ainda Dublin não tinha aceitado a ajuda e já os analistas e economistas iam fazendo a sua lista: a seguir será Lisboa, depois Madrid, tomaremos então Roma ou Bruxelas. E nesta antecipação de derrocada após derrocada, os analistas chegavam rapidamente à óbvia conclusão de estarmos perante a possibilidade de colapso ou de fragmentação da Zona Euro. Com a queda da moeda única a abrir uma profunda brecha em toda a construção europeia.
Foi com a consciência das ameaças que se estavam a colocar a um projecto que garantiu a paz e prosperidade na Europa durante já mais de meio século, que quer os líderes europeus como alguma tecnocracia repensou toda a estratégia que estava a ser seguida para ultrapassar os problemas de financiamento de alguns países do euro, entre os quais está Portugal. Mais até mais do que os sucessos do passado, é a ausência de qualquer possibilidade de antecipação do que poderia acontecer num quadro de colapso do euro que recomenda outras abordagens para enfrentar a crise da dívida, que foi a de sermos obrigados a recorrer ao FMI...

Em face da nova estratégia assumida implicitamente pela Zona Euro com o imprescindível apoio de Berlim, a notícia da revista alemã Der Spiegel é uma autêntica surpresa. A que se acrescenta o facto de estas informações partirem aparentemente de um encontro entre os ministros das Finanças alemão e francês para discutirem o euro, num total, absoluto e público desrespeito pelas instituições europeias, como referiu o Presidente da República.

Lisboa não pode grande coisa contra as Cassandras

Dizia uma revista alemã, citada pelas agências noticiosa e depois desmentida oficialmente pelo Governo alemão, que Berlim e Paris querem que Portugal tome medidas draconianas  financeiras para se evitar um contágio a Espanha. Não é obviamente fácil racionalizar o argumento quando o que se tem verificado é exactamente o contrário, as intervenções não evitam outras intervenções.
Terá a Zona Euro mudado de ideias? Nada o indica. O que parece é haver, ainda, pouca convicção na estratégia de evitar novas intervenções com fundos europeus e do FMI, para evitar exactamente o contágio a Espanha e a outros países.
A nova tempestade financeira que se abateu sobre Portugal, todos o sabem, é determinada pelo anúncio de duas emissões obrigacionistas . O que as instituições financeiras estão a fazer é a explorar a possibilidade de ganhos adicionais na compra de novos títulos a taxas mais altas. Os líderes políticos não podem nem devem alimentar esses ganhos com declarações políticas que criam dificuldades adicionais quer a Portugal como ao euro.
O governo em Lisboa pouco pode fazer para evitar as notícias sobre o colapso de Portugal. Mas Pedro Passos Coelho pode fazer muito, colocando a sua firmeza e persistência ao serviço do combate ao défice público. O governo tem de usar todos os meios para, o mais tardar em Fevereiro, termos a certeza que o défice público deste ano vai ser cumprido. Só assim terá a solidariedade e uma solução europeia, mas não sem o FMI, já caímos nas suas garras e agora é apertar mais o cinto.

Debates Que futuro para a Europa / 8 “Mais Europa”, uma ideia perigosa

Para enfrentar o risco de falência da maioria dos Estados-membros mais endividados, os Vinte Sete aprovaram medidas que vão no sentido de uma maior integração. Mas tornaram a fazê-lo sem pedirem a opinião dos europeus.
Está neste momento em curso na União Europeia um golpe de Estado antidemocrático e, aparentemente, ninguém se incomoda com isso. Em Portugal e na quase totalidade dos países europeus. Só no Reino Unido, cuja democracia é a mais antiga e a mais enraizada, há quem proteste e resista. Exagero? Não creio. O que designo, sem medo das palavras, como golpe de Estado transeuropeu é uma tentativa de violação da soberania nacional que violará os equilíbrios do Tratado de Lisboa e humilhará os parlamentos nacionais. As medidas estão a ser apresentadas às opiniões públicas como importantes avanços no sentido de “mais Europa” e uma primeira concretização de um “governo económico” pan-europeu, mas que em nenhuma altura os eleitorados sufragaram ou deram sequer sinais de querer sufragar.